FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Aborto inadequado mata 1 mulher a cada 2 dias no Brasil


Procedimentos feitos sem acompanhamento médico adequado matam uma mulher a cada sete minutos em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Reportagem com base no programa Profissão Repórter da Globo Online de 08/04/2011 entrevista o ginecologista Jefferson Drezett, diretor do Ambulatório de Violência Sexual (AVS) do Hospital Pérola Byington, em São Paulo.

Veja abaixo a entrevista:

“Você é a favor do câncer de mama?”. É assim que o ginecologista Jefferson Drezett responde quando questionado se é contra ou a favor o aborto. “A gente tem, há décadas, discutido essa questão dessa maneira inútil”, afirma.

O médico é diretor do Ambulatório de Violência Sexual (AVS) do Hospital Pérola Byington, em São Paulo, criado em 1994 para atender, entre outros casos, um direito que as mulheres têm garantido na lei: a realização de abortos em caso de risco para a gestante ou de gravidez decorrente de estupro.

Nesses 17 anos de existência, mais de 21 mil mulheres foram atendidas pelo serviço. Foram 1.200 gestações avaliadas, das quais 70% tiveram o aborto aprovado. “Essa não é uma questão de ser a favor ou contrário ao abortamento. Ninguém é a favor do abortamento”, diz o ginecologista. Ele ainda defende que o poder público garanta às mulheres o direito que já está na lei. Veja os principais trechos da entrevista com o diretor do AVS do Hospital Pérola Byington:

É comum as mulheres que passam por aqui mudarem de ideia em relação ao aborto?
Muita gente realmente passa por esse tipo de situação e, antes, tem essa posição de primariamente ser desfavorável, completamente contra o aborto. Mas quando você sente a situação, passa por ela, de estar vivendo uma gravidez que decorre de um estupro, pode mudar de opinião.

O que muda para elas?
Na verdade, não é que a opinião, antes, não fosse importante. É que era uma opinião fundamentada por um motivo completamente equivocado. Quando a gente entende o que essas mulheres passam, o que essas mulheres estão vivendo e que o aborto é uma alternativa dentro de todas as alternativas que elas têm, isso passa a ser compreendido pelas pessoas.

Nenhuma mulher busca o aborto como um bem. Ninguém é a favor do aborto como algo bom a ser buscado. Não é essa a situação. Mas em algumas situações, as mulheres têm que decidir. E essa situação pode ser diferente de tudo que ela pensou antes na vida dela. Nem toda mulher teve ainda a oportunidade de ter tempo pra pensar e de reconhecer melhor.

Para o senhor, então, é necessário mudar a discussão sobre o aborto?
Não é uma questão de ser contra ou a favor. É como perguntar se você é a favor do câncer de mama. Ora, é claro que não! Aliás, a gente tem, há décadas, discutido essa questão dessa maneira inútil. Desculpe-me, é inútil discutir dessa forma. Essa não é uma questão de ser a favor ou contrário ao abortamento. Ninguém é a favor do abortamento. Ninguém busca no abortamento um bem, alguma coisa a ser alcançada como algo positivo.

E quanto às restrições da lei no Brasil?
Muita gente entende que proibindo o abortamento, tudo isso está resolvido. E nós entendemos que não é proibindo o abortamento que as questões se resolvem. Não é proibindo o acesso dessa mulher ao abortamento que a situação dela está resolvida. Isso não quer dizer que nós somos favoráveis, ou gostamos, ou preferimos o abortamento. A gente simplesmente entende que, em determinadas circunstâncias, as mulheres terão que decidir pelo abortamento. E têm o direito de decidir. E é dever do poder público, do serviço de saúde, fazer com que esse abortamento feito seja feito de maneira ética, de maneira a respeitar integralmente os limites da lei.

Se está previsto na lei, o serviço público deve mesmo realizar.
O mais importante de tudo é que o abortamento seja feito de maneira segura. Que a mulher não coloque sua vida em risco para conseguir algo que ela tem aqui nesse hospital [Pérola Byington] por direito. Ela sai daqui sem nenhum tipo de consequência, sem nenhuma perspectiva de ter a saúde dela ou a saúde reprodutiva dela futura interrompida, modificada ou de alguma forma perturbada.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A MINISTRA LUIZA BARROS AFIRMA QUE AS DECLARAÇÕES DE BOLSONARO SÃO RACISTAS


(Agência Brasil) Luiza Bairros, ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), afirmou que são "casos explícitos de racismo" as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra. “Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição”, afirmou a ministra.

“Qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”
Luiza Bairros espera "firmeza" no posicionamento da Câmara dos Deputados. “O protagonismo é do Legislativo”, afirmou. “Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo.”


Caso Bolsonaro põe imunidade em xeque

Para a ministra, as declarações do deputado não são surpreendentes no seu conteúdo. “Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela [declaração] ter partido de um deputado federal”, afirmou.

Denúncias de racismo

Durante o programa Bom Dia, Ministro, Luiza Bairros disse que a Ouvidoria da Seppir monitora episódios e denúncias de discriminação e encaminha casos de manifestações racistas veiculadas na internet à Polícia Federal. O telefone da Ouvidoria da Seppir é (61) 3411-3685